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quinta-feira, 15 de março de 2012

Série Neopentecostalismo Cartoon: Os Vegetais!


SÉRIE NEOPENTECOSTALISMO CARTOON: OS VEGETAIS

Por João Rodrigo Weronka
Chegamos ao fim da série de artigosNeopentecostalismo Cartoon. Recordando de modo rápido, falamos sobre relativismo (A Fuga das Galinhas), dominação em massa e modismos (Pink e o Cérebro), falsa piedade e ingenuidade (O Fantástico Mundo de Bobby) e coronelismo e endeusamento de líderes (O Caminho para El Dorado).
Falei sobre problemas crônicos presentes no meio nepentecostal, mas que não são restritos a este movimento. As causas dos problemas são muitas, mas sem dúvidas a mais evidente é a ausência de um compromisso real e profundo com o conhecimento das Escrituras Sagradas.
Fato é que vivemos uma crise de identidade na eclesiologia e teologia, fruto da semente do relativismo e da fácil abertura que as igrejas dão para modinhas. A novidade (que nem é tão nova) é a propagação da Teologia Relacional (Teísmo Aberto) por lideranças renomadas.
Ano após ano, mês após mês, novidades aparecem por aí, com aparência de piedade, mas que destilam um perigoso veneno no meio cristão. Seus arautos estão sempre dispostos a condenar a ortodoxia, sob as mais variadas e pífias justificativas.
Finalizando esta série, não vou falar sobre problemas em si, mas sobre algo que é essencial ser resgatado na igreja de nossos dias: o trabalho apologético. Tomo por base o simpático desenho animado “Os Vegetais”, que pelo simples fato de trazer mensagens cristãs facilita – e muito – o escopo deste ensaio.
Os Vegetais
Estava assistindo este desenho com minha filha e me atentei a um episódio onde se narrava a história de Sadraque, Mesaque e Abdnego e Nabucodonosor. Ao término da estória, abordada de modo bastante lúdico para facilitar a compreensão dos pequenos, me surpreendo com uma canção extremamente apologética. Cito abaixo a versão cantada em português e as legendas, que tomam por base a versão em inglês (o destaque negrito é meu):
a) CANÇÃO EM PORTUGUÊS:- Eu me lembro e guardo
- E guardo, e guardo
Aquilo que aprendi, aprendi
- Eu sei que Deus
Deus vai te sustentar
- Deus vai te sustentar
- E quando te pedirem para fazer o que é errado, aquilo que você não acha mesmo legal, é só lembrar, da lição da Escola Dominical
Ah, isso é verdade
(…)
- Eu me lembro e guardo
- E guardo, e guardo
Aquilo que aprendi, aprendi
- Eu sei que Deus
Deus vai te sustentar
- Deus vai te sustentar
b) LEGENDAS EM PORTUGUÊS (BASE NA CANÇÃO EM INGLÊS):- E me lembro dedefender 
Defender, defender
Aquilo em que acredito, acredito
- Deus…
Ele sempre ajuda
- Ele está sempre comigo
- Quando todo mundo disser que nenhum careta é benquisto, lembre-se do que aprendeu na Igreja de Cristo, e saiba, meu chapa, que a Bíblia é o nosso mapa
Você sabe que é verdade
- Disseram para defender
Defender, defender
Aquilo em que a gente acredita, acredita
- Deus…
- Ele sempre ajuda
- Quem não o evita
Defenda
- Defenda, defenda
Aquilo em que acredita, acredita
- Deus…
- Ele sempre ajuda
- Quem não o evita
- Ele vai te ajudar
- Vai sim!
Como fiquei feliz ao ver esse tipo de demonstração teológico-apologética num desenho infantil!
Achei muito positivo transmitir tal mensagem, mostrando aos pequenos a importância de manter a convicção de fé diante de circunstância adversas e defender a fé e os ensinamentos relacionados a fé, outrora aprendidos.
Lembrei-me de imediato do relato mencionado por Judy Salisbury, que nos momentos em que estava com sua filha de apenas 8 anos no carro, ambas desfrutavam do momento ouvindo debates do Dr. Walter Martin (um dos maiores apologistas cristãos contemporâneo) e “Em Defesa de Cristo” de Lee Strobel [1]. E antes que os fideístas de plantão condenem a mamãe Judy, leiam seus motivos na obra conforme mencionado na nota. Judy Salisbury fez o que muitos de nós ainda pecam em não fazer, ela está “Criando um clima apologético no lar”.
Não pretendo chover no molhado, mas fazer como o apóstolo Paulo: repetir as mesmas coisas sem cansar:
“Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. (Fp 3.1)”
Amigo leitor, faça como a canção no desenho… defenda sua fé! Defenda aquilo que você aprende na igreja (desde que seja um ensino saudável), aquilo que você aprende na Escola Bíblica (seja dominical ou não). Aprenda a Bíblia, invista em obras teológicas sérias (procure seu pastor e se afaste do liberalismo e relativismo teológico), e se tiver dúvidas sobre um bom livro para comprar e ler, eu sou seu servo em Cristo, e ao seu dispor para ajudar e indicar algo proveitoso e edificante [2].
Minha oração e apelo é que todo cristão se empenhe nesta tarefa. E como sei que no meio do povo de Deus existem aqueles chamados para o trabalho apologético, oro para que se prontifiquem para tal! Professores, obreiros, diáconos, pastores! Somos servos neste trabalho e precisamos agir para enaltecer o Evangelho e promover uma cultura cristã profundamente bíblica.
Isso não é slogan, muito menos receita de sucesso, mas eu apelo fica: seja um influenciador e promova esta cultura em sua congregação. Fará bem para você, para seu irmão e para o Reino de Deus.
Continuemos, pois, a defender a fé entregue aos santos, expondo a razão da esperança que há em nós!
NOTAS
[1] SALISBURY, Judy. Criando um clima apologético no lar. In ZACHARIAS, Ravi e GEISLER, Norman. Sua igreja está preparada?. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p.97
[2] Contate o autor deste artigo pelo contato@napec.net
***
João Rodrigo Weronka é editor do NAPEC e colaborador no Púlpito Cristão.
Que o SENHOR tenha misericórdia de nós! AMÉM!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O fantástico mundo de Bobby, gospel!


SÉRIE NEOPENTECOSTALISMO CARTOON: O FANTÁSTICO MUNDO DE BOBBY

Por João Rodrigo Weronka
Cá estamos novamente para falar sobre síndromes presentes do modo mais enfático no movimento Neopentecostal. Tenho plena convicção que o leitor já se deparou com muitos que infelizmente se encontram em estado de letargia espiritual, provocada por uma falsa identidade de crente ingênuo e “puro”, fruto deste tempo de cristianismo raso e imaturo.
A bola da vez é um cartoon que mostra como a visão de mundo de criança como qualquer outra. Esta visão é algo inerente a fase cronológica de cada criança, ou seja, cada coisa em seu tempo. Você já se imaginou fazendo aos 30 anos coisas que fazia aos 6 anos? O tempo passa e o crescimento biológico acontece.
Falando do ambiente cristão, por que será que o tempo passa e espiritualmente poucos avançam? Por que o tempo passa e muitos ainda permanecem na imaturidade espiritual e intelectual?
O Fantástico Mundo de Bobby
Esta série estadunidense de desenhos animados foi criada por Howie Mandel e dirigida por Tom Tataranowicz. A série foi exibida no Brasil em seu auge na década de 90.
O desenho fala do cotidiano de um garotinho chamado Bobby e sua família. Bobby vivia pilotando seu triciclo e nas idas e vindas estava a descobrir o mundo. Sua fértil imaginação fazia com que visse coisas onde elas não existiam, ou seja, a mentalidade de qualquer criança.
Quem não se lembra deste menino com sua característica “cabeçona”, seu tio Ted (com as mais extravagantes e coloridas camisas) e o cachorro Roger?
Os episódios não eram cheios de chavões ou clichês, apenas relatavam de modo geral o que é o dia-a-dia de uma simples criança, vivendo no lúdico e com o convívio de sua família.
Pois bem, e onde entra a correlação com a mentalidade Neopentecostal?
Antes que o leitor me atire pedras, ressalto: esta reflexão é para levar o crente velho (sim, aquele que está há anos na igreja e parece uma pedra de sal no espírito e no intelecto) a se mexer e mudar de posição. Serve também para mostrar e alertar ao novo na fé, ao recém-convertido, que o cristianismo é mais que esse cardápio bizarro servido por aí.
Quero ser como criança…
Mais uma vez eu recorro a minha pimpolha como exemplo. É encantador o mundo lúdico das crianças. Minha filha é capaz de imaginar coisas que não existem e criar um mundo maravilhoso onde eu participo de modo ativo. Como é gostoso vê-la crescendo e aprendendo e como é interessante o modo como o coração puro e isento de malícia das crianças se comporta.
O tempo vai passando, e ela começa a mostrar em suas atitudes que está crescendo: desenvolvimento físico e intelectual. Como todo pai, sou obrigado a dizer: “Puxa! O tempo está passando rápido!”. Quando a vejo brincando com suas bonecas me envolvo como um brucutu numa brincadeira estranha, mas ser pai é participar!
Seria estranho se o leitor se deparasse comigo brincando sozinho com uma boneca ou um carrinho…
Mas por que será que os crentes envelhecem e permanecem na infantilidade espiritual?
Infelizmente existe uma terrível confusão de entendimento neste aspecto. A Bíblia deixa muito claro a devida separação entre o “ser como criança”.
a) Quanto à malícia: As Escrituras mostram que após termos a ciência sobre o pecado, precisamos confessá-lo e abandoná-lo. Neste sentido diz as Escrituras sobre o ser como crianças:
“Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.” (Mc 10.15)
“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.” (1 Co 14.20)
Em suma, nosso coração deve ser como de uma criança no que tange o pecado e a respeito da confiança em Deus como Pai. Precisamos limpar a casa e ser como crianças neste sentido, nos lançando nos ombros da graça em Cristo, confiando de modo irrevogável no Deus poderoso. Neste sentido, quero ter o coração puro de uma criança e estar no Reino de Deus.
b) Quanto ao conhecimento: Aí mora o perigo. Com base no texto citado onde Jesus fala para sermos como crianças, alguns crentes ainda teimam em não crescer no entendimento, conforme citado em 1Co 14.20. Neste aspecto, o Neopentecostalismo tem feito uma geração de “Bobbys”, que vagam daqui pra lá sobre seu triciclo, imaginando coisas de criança.
Uma geração de crentes mimados é sacudida de um lado para o outro, vivendo num mundo gospel lúdico que teimam em não sair. E vale a ressalva imediata: a existência desta geração “O Fantástico Mundo de Bobby” está em proeminência no Neopentecostalismo, mas infelizmente não se restringe a este segmento.
É impressionante como temos atitudes infantis por aí a fora.
Já vi crente abandonar sua congregação pelos motivos mais estapafúrdios possíveis! Uns por que o pastor não o viu no meio de duzentas pessoas; outro por que o irmão ora alto na fileira de trás; outro por que o tapete foi trocado; outro por que o banco era duro, etc.
Fora a tragédia dos que são membros, observamos imaturidade severa em líderes de ministério. Uns chegam a abandonar seu ministério em função de restrições mínimas, como por exemplo, o uso demasiado de “roupas gospel” do cantor preferido, ou mesmo por que lhe foi solicitado que não cantassem tantas músicas de um mesmo “ministério” (de 6 do repertório, se cantavam 5 de um mesmo ministério).
É hora de crescer, abandonar o triciclo, as barras da camisa do tio Ted e virar crente maduro.
No meu coração, quero ser puro. No meu entendimento quero crescer dia após dia. Meu anseio mais sincero é que o leitor queira isso em seu coração. Vamos sair da sonolência?
“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Ef 4.13-14)
“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. “ (2 Pe 3.18)
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João Rodrigo Weronka é editor do NAPEC e colunista no Púlpito Cristão
Que o SENHOR tenha misericórdia de nós! AMÉM!

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