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Memórias de um filho de pastor (2ª parte)

Memórias de um filho de pastor (2ª parte)





Deus não somente deseja estar em família como a família se tornou parte de seu projeto de benção e de redenção.


Visitando minhas memórias como filho de pastor, lembro-me que, ainda na adolescência, descobri os benefícios de uma possibilidade que a igreja oferece as suas famílias, a saber; uma rede ampliada de relações de cuidado. Existe uma variedade de modelos e experiências familiares que podem enriquecer a vida de cada um de seus membros. Costumo dizer aos meus filhos que eles devem atentar para outros pais e mães de nossa igreja, é possível que eles aprendam com outros aquilo que seus pais não foram capazes de ensinar. Como diz um ditado africano, para fazer nascer uma criança é necessário um casal mas para educá-la é necessário uma comunidade! O processo de urbanização acelerado e seu impacto sobre a família pode ser atenuado por esta rede de relações significativas na qual a família nuclear se encontra inserida.

Uma experiência que recordo com muito carinho é a de um amigo que, ainda adolescente, decidiu iniciar um grupo de estudo bíblico em sua escola como forma de compartilhar a sua fé. Um dia, enquanto orava em sua sala de aula, no período de intervalo, um jovem se aproximou e começaram a conversar sobre Jesus. No final da conversa o jovem não somente decidiu seguir a Cristo como revelou sua situação de orfandade, o que provocou um convite para que ele fosse a casa de meu amigo almoçar. Chegando ali, os pais de meu amigo ouviram toda a história e decidiram adotá-lo como membro de sua família. Um lar cristão que acolheu na fé e na família aquele que não conhecia a Jesus Cristo e que, até aquele momento, nunca havia vivenciado uma experiência de ser parte de uma família.

Seria muito bom que, a começar pelos lares dos pastores, as famílias de nossas igrejas pudessem aprofundar seus conhecimentos sobre os fundamentos bíblicos da família. Saber que nossa teologia deve começar em Genesis 1, pois é necessário compreender o propósito da Criação de Deus e estudar neste contexto a famíllia - a qual precede ao Estado, precede a Igreja, que é o primeiro espaço para o exercício daquilo que conhecemos como mandato cultural (Gn1. 26- 29). Além disso, a família é um instrumento de Deus em seu projeto de Redenção (o mandato salvífico - 2 Co.5.20). Quando o Senhor resolveu abençoar a todas as famílias da terra ele escolheu uma família (Gn 12), quando ele resolveu vir à terra, uma vez mais escolheu uma família para nela nascer. Deus não somente deseja estar em família como esta se tornou parte de seu projeto de benção e de redenção. Estas realidades nos revelam que a dinâmica familiar poder ir além do fortalecimento de vínculos de afeto e compromisso. A presença de Cristo no lar modela o eixo no qual a família deve viver, relativiza as minhas convicções frente àquele que é o Senhor do lar, torna possível o perdão que viabiliza as relações, qualifica o conceito de compromisso de um com o outro, tomando por base aliança, que tem como modelo o pacto de Deus com o seu povo. Sendo Cristo o Senhor o ego narcisista deixa de ocupar o trono, a paciência se torna inspiração para o modelo pedagógico, de forma a não subestimar os pequenos começos. A realidade da ressurreição do Senhor nos faz encarar cada situação com esperança , a misericórdia fornece elementos para a mesa aberta que acolhe e cuida. Tudo isso me leva a concordar com Martim Lutero que considerava o lar como uma escola de santidade.

Muitas famílias cristãs acabam fazendo com a igreja local o que fazem com a escola onde seus filhos estudam, elas transferem a sua responsabilidade na educação e na formação espiritual. O lar se torna apenas um teto sob o qual nos reunimos e passamos algum tempo por perto, não necessariamente juntos, considerando o impacto dos aparatos tecnológicos que nos afastam um dos outros quando a ideia é aproximar as pessoas (grande ironia!). Minha mãe costumava dizer que todos nós um dia seremos convidados para o "jantar das consequências", portanto esta transferência de responsabilidade tem um grande peso que, no fim do dia, recai sobre a família. Que o Senhor nos ajude a dar a devida atenção ao nosso lar e assim poder dizer como Josué: eu e minha casa serviremos ao Senhor!


Ziel Machado  é historiador, membro da equipe pastoral da Igreja Metodista Livre Nikkei - Saúde, em São Paulo e professor da Faculdade de Teologia Metodista Livre de São Paulo. É Secretário Regional de IFES (ABU) para América Latina. Escreve para a revista Cristianismo Hoje






Leia AQUI a primeira parte





Fonte:
http://www.genizahvirtual.com/2013/09/memorias-de-um-filho-de-pastor-2-parte.html

Que o SENHOR tenha misericórdia de nós! AMÉM!

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