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As Peripécias de um Patriarca! Cuma?!



AS PERIPÉCIAS DE UMA ESTRANHA NA MULTIDÃO DE SEGUIDORES DO RENÊ, O PATRIARCA”

Por Mikaella Campos
Desde o dia que descobri que haveria um congresso do pai-apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração (MIR 12) em Vitória-ES contei os dias para que o evento chegasse logo. Não por acreditar que seria abençoada por esse, mas porque meu desejo maior era encontrar esse homem cara a cara para apresenta-lo à Verdadeira Palavra. Você pode pensar que tal atitude seria uma ousadia. Admito que é. E finalmente esse dia chegou. E quase que eu deixei passar em branco. Lembrei-me do evento, na quinta-feira. Fiquei desesperada, já que o Congresso estava marcado para ser realizado na sexta-feira e no sábado (dias 27 e 28 de julho). Não sabia onde seria, como poderia me inscrever. Só consegui as informações ao encontrar no Google os pastores e apóstolos capixabas, seguidores do “patriarca”.
Encarei a minha ida ao Congresso “12, O CÓDIGO GENÉTICO DA INTELIGÊNCIA E SABEDORIA”, como uma missão cristã e jornalística. Por isso, fiz de tudo para participar de alguma forma, mesmo ouvindo de meu irmão que eu era uma “doida”. Meu marido só apoiou porque sabe que sou meio brava, e que eu ia ficar chateada se ele dissesse para eu não ir.
Liguei para a igreja responsável pelo evento, o Ministério Internacional da Aliança (Mida12), para saber como seria a inscrição. Passaram-me a informação que eu deveria ir até o bairro Guaranhus, em Vila Velha. No entanto, a localidade é bem longe da minha casa, não sabia como ir para lá. E nem se tivesse feito “12 horas” de jejum, meu marido me levaria até lá (brincadeirinha).
Segundo a pessoa que me atendeu, a compra do ingresso, de R$ 25, para o encontro não poderia ocorrer no local. Como seria realizado num espaço público, os organizadores estavam impedidos de cobrar pela entrada. Uma forma de burlar a legislação foi vender os ingressos apenas nas igrejas. Aí estava a primeira falcatrua santa desse abençoado evento.
O congresso estava marcado para ocorrer no Tancredão, um espaço de esportes e lazer de Vitória. E depois de tantas ligações, conversei com outro pastor, da Igreja Batista Filadélfia, que também estava por trás do congresso. Ele me garantiu que eu poderia fazer a inscrição no local, contrariando a primeira informação. Porém, fiquei tranquila, porque me disseram que de uma forma ou outra eu iria conseguir participar.
Deixei para ter minha “ilustre” presença de intrusa apenas no sábado. Acordei cedo, 7 da manhã, para chegar pontualmente no evento, marcado para começar às 8h30. Tudo bem, como toda mulher, atrasei-me. Só cheguei às 9 horas. Lá, fui direto me informar sobre a inscrição. No lado de fora do Tancredão, muitas pessoas esperavam pela abertura dos portões. E quando as portas foram liberadas, e o grupo de visitantes começou a entrar, eu prontamente invadi o espaço. Sem pagar. Não me julguem por isso, por favor!
Um detalhe importante: no trajeto para o Tancredão, orei bastante e pedi a Deus para não deixar minha mente se contaminar com as heresias que eu sabia que seriam professadas ali. Fui preparada e armada. E isso talvez tenha tirado um pouco da minha simpatia natural. Geralmente, sou cordial com as pessoas. Mas, não consegui, porque estava focada. Não queria me distrair. Queria pescar todas as armadilhas teológicas que seriam colocadas naquele mar de insanidade.
Momento em que Renê consagra os pastores e pastoras, bispos e bispas e apóstolos e apóstolas
Quando entrei no estádio, fui direto para as cadeiras próximas ao palco. Eu queria ficar bem na frente para não perder nada que ocorresse de estranho ali. Minha intenção era tirar fotos e filmar algumas bizarrices dos palestrantes. Consegui um bom lugar para ficar sentada. Tirei da mochila o celular, a máquina fotográfica e meu bloquinho (jornalista não fica sem). Enquanto a “festa” não começava, eu conversei com um rapaz que estava sentado na minha frente sobre como havia sido o evento no dia anterior. Ele respondeu: “pura bênção”. Curiosa que sou, perguntei para ele porque havia sido bênção. Minha intenção era saber o que havia ocorrido de tão importante. O garoto, meio atrapalhado disse:
- Ele falou sobre o código genético de Deus.
E eu fiz um novo questionamento:
Mas o que seria isso exatamente? Ele tentou explicar, meio gaguejando, que ele havia falado sobre “um negócio que mostra nossa identidade”. Eu perguntei:
- O DNA?
Ele disse:
Sim.
Nessa hora, vi que o garoto estava mais perdido que uma moeda que cai num bueiro. E resolvi deixar para lá.
Com 20 minutos de espera, um dos “apóstolos” presentes começou o evento, pedindo as pessoas para darem as mãos para uma oração. Eu fiquei meio sem saber o que fazer. Mas resolvi não ser tão rebelde logo de cara. Depois, tive que abraçar as pessoas e falar que elas eram importantes para Deus. Até aí tudo bem. Mas quando começou o louvor, eu decidi não comungar da mesma liturgia. Afinal, eu estava ali para analisar, com um olhar de jornalista cristã. Então, não cantei, não bati palmas, não pulei, nem gritei “aleluias”… E algumas pessoas por isso começaram a me observar. Eu fiquei me sentindo vigiada. Eu era estranha ali. Imagino que essas pessoas não estavam entendendo porque uma pessoa carrancuda estava fazendo ali, naquele momento de “alegria” e de “unção”.
Foto do ambiente captando os fiéis
E quando o homi, Renê Terra Nova, assumiu o púlpito a coisa piorou. Ele disse para a “igreja do avivamento” que o congresso de Vitória-ES, não era o melhor que ele já realizou, pois outros eventos reuniram muito mais pessoas. Realmente, Renê, apesar de sua arrogância, não venceu. Apenas 300 pessoas estavam ali naquela manhã, num espaço que cabe pelo menos 2 mil pessoas.
Além de ficar revoltada com as besteiras que ele falava, eu não demonstrava nenhuma expressão. E por estar sentada na terceira fileira, eu fiquei um pouco à mostra. Gente, eu estava atrás dos apóstolos, bispos e pastoras. Não sei se o Renê me viu, mas se viu, com certeza, não gostou da minha cara feia. Em nenhum momento eu me deixei envolver com aquele processo. O engraçado é que ele fala suas heresias e dizia: se for mentira, fique calado. Eu ficava calada. Totalmente, muda. Olha que isso é difícil para mim, que falo desde os 10 meses de vida.
Durante o tempo que ele “profetizava” e dava sua explicação sobre o tal código genético eu concentrava em anotar e até gravar o áudio e vídeo sobre a doutrina da bizarrice. Infelizmente, nada do que ele falou ali era coerente. Em mim, só crescia uma vontade enorme de gritar e de perguntar para ele, de quem ele ganhou essa autoridade para inventar e acrescentar ideias a Bíblia.
Em alguns momentos, eu, confesso que fiquei um pouco com medo dele devido à obsessão pelo número 12. A pior situação foi, quando ele mandou a plateia gritar o número 12. O povo ficou: 12, 12, 12, 12, 12. Parecia coisa de filme, onde seguidores de seitas começam a repetir aquele som, como se estivessem hipnotizados.
Teve um momento que Renê falou algo tão absurdo que eu não consegui segurar minha língua, e acabei expressando alto que não concordava com nada daquilo. Nesse momento, meu desabafo foi espontâneo. Só disse: “que agressão a ti, Senhor”. Alguns pastores que estavam ao meu lado não entenderam muito bem minha reação. Só que o engraçado é como eu esqueci o que ele falou. Minha mente rejeitou aquilo de uma forma tremenda, que nada me faz lembrar.
Eu estava muito revoltada, mas ao mesmo tempo, um pouco embananada. Sozinha, não sabia se filmava, se gravava o áudio ou se fotografava as atitudes da plateia. Eu estava muito preocupada em colher um bom material para refletir, nos blogs, sobre o que tudo aconteceu ali. O que me deixou mais tranquila foi saber que eu poderia comprar o DVD com a palestra do Renê Terra Nova. Logo que acabou o evento, eu decidi comprar logo a mídia. Só que nesse tempo acabei perdendo o Renê de vista. E minha missão de falar com ele, não se concretizou. Mas também de que adiantaria falar? Eu não sou Deus, para convencer ninguém do pecado, não é?
O culto da manhã acabou às 13h30. Nesse momento, eu resolvi que não ficaria para assistir o congresso à tarde, com a palestra chamada Jump, que até agora não entendi bem o que é. Só sei que é para jovens e que incentiva todos a pulares, como se estivessem numa academia de ginástica. Também resolvi não participar da celebração da noite. O que eu ouvi durante a parte da manhã foi o suficiente para eu saber que preciso estudar muito à Palavra de Deus para não ser enganada por ventos de doutrina.
Mas a maior surpresa que eu tive foi quando cheguei à minha casa. O DVD que me venderam estava sem áudio. Agora, terei que correr atrás do material para conseguir escrever melhor, em detalhes, sobre o que é o tal código genético. Até nisso, o mal conseguiu ganhar. Porém, sei que é por um período de tempo pequeno, pois já, já, o dono de toda a verdade vai retornar para arrumar a casa e tirar do meio dos seus eleitos, os lobos que tentam devorar as ovelhas do pasto de Deus.
***
Mikaella Campos é jornalista, subversiva, fascinada pela Verdade, perseguidora das heresias, e parceira do Púlpito Cristão. Edita o blog  Minha vida em Cristo Sem Heresias. Divulgação: Púlpito Cristão.

Que o SENHOR tenha misericórdia de nós! AMÉM!

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